O Sistema Único de Saúde (SUS) desde a sua formalização, através da Constituição de 1988, passou por diversos processos institucionais complexos em busca da efetivação dos seus princípios fundamentais reafirmados nas Leis Orgânicas da Saúde. Ao longo de todo esse processo histórico de implementação de mudanças no campo da saúde pública, destaca-se dois períodos marcados por nítidas diferenças de caráter institucional em relação às diretrizes centrais e seus desdobramentos operacionais em todas as políticas públicas, programas e ações de responsabilidades do Estado Brasileiro.
Em mais de três décadas, o SUS encontra-se embebido por esse processo mais amplo de natureza estrutural em que dois longos períodos de grandes transformações na esfera político-institucional ocorreram, desde a positivação do direito universal tardio, pactuado no advento político da Nova República, até as crises conjugadas que atingem o país gradativamente em 2013 e inauguram um novo período de instabilidade crescente a partir desse ano. Sucessivos governos ao longo dessa trajetória histórico-institucional do SUS implementaram duas grandes ondas de reformas do serviço público que se superpõem incrementalmente, inseridas no processo mais amplo de reforma estrutural do Estado Brasileiro. Curiosamente, a partir do ano de 2016, se descortinou de forma mais visível um processo de grande turbulência do sistema político, seguido por novas iniciativas de reformas constitucionais que alteram profundamente a capacidade institucional de intervenção do SUS com impacto significativo sobre todos os programas de saúde pública.